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A morna ficou sem a sua rainha

A Diva dos pés descalços faleceu aos 70 anos, três meses depois de ter anunciado que a sua carreira tinha terminado. Muitos foram os que partilharam os palcos com a Cize e que ficaram consternados com a sua morte.

Para Bana, cantor da mesma geração de Cesária Évora, perdemos um grande nome para Cabo Verde e “ficamos todos com saudades”. “Ela era Cesária, onde entrava destacava-se pelo seu nome e pela sua maneira de ser. Chegou a sua hora mas gostaria que ela tivesse podido viver mais uns dias”, confessa Bana, emocionado. Recorda que eram amigos e brincavam muito um com o outro. “É difícil o consolo para esta perda”. Bana envia condolências a todos os músicos cabo-verdianos, porque a morte de Cesária é algo que abala a todos.

A cantora Titina afirmou estar ainda "um pouco incrédula" apesar de salientar que da última vez que viu a Cize, ficou preocupada, apesar disso Titina explica que não estava a espera deste desenlace.

"Ela era mais velha do que eu, mas eu comecei a cantar muito cedo, logo aos 14 anos; ela tinha acabado de sair do orfanato, e às vezes passava à porta da minha casa e ficava a olhar para mim, porque eu cantava em casa muitas vezes. E sempre que nos cruzávamos na Rua de Lisboa, ela também me olhava com admiração, até porque ela gostava muito de um grupo musical onde eu cantava, " relembra Titina.

"Sei que eu era a pessoa que ela mais gostava de ouvir cantar, e mesmo depois de ficar famosa, Cesária respondia isso nas entrevistas, mas depois foi aconselhada a não fazê-lo. Uma noite, durante um jantar no restaurante Estrela Morena, em Lisboa, ela convidou-me para cantar uma morna e vi quando os olhos dela encheram-se de lágrimas, lembrando aqueles tempos; e quando eu ia ao Piano-Bar, em São Vicente, Cesária pedia-me sempre para cantar “Noti di Mindelo. Havia uma admiração mútua e eu tinha um profundo respeito por ela," concluiu Titina, outra grande voz de Cabo Verde.

A cantora Lura está a caminho de Cabo Verde para se despedir daquela foi também a sua diva.Entrevistada no aeroporto, a cantora falou sobre Cize: "Estava com muita e com muita vida. Sempre com sentido de humor, tranquila e com muita força. Ela era uma força da natureza. Ela esteve sempre activa até ter anunciado o final da carreira dela. Notei que ela nunca diria não a uma viagem a uma tourné."

Tito Paris lamentou hoje a morte de Cesária Évora, companheira de palcos e de brincadeiras, salientando que a música da cantora não morre e será ouvida "até ao último dia das nossas vidas". Em declarações ao SAPO, Tito Paris afirmou estar "muito triste" com a morte da sua amiga.

“Fiquei espantado, porque tinha informações de que ela já estava melhor. Foi com profunda tristeza que recebi a notícia; acho que ficamos todos pobres como ficámos ricos no dia em que ela nasceu. Mas o artista nunca morre, e ela estará sempre viva quando escutarmos mornas como “Mar Azul”, “Regresso”, e outras coladeiras fantásticas. Cada voz é uma voz, e de Cesária era uma voz de cristal, basta ouvirmos mornas como Lena, de B. Leza, por exemplo. Agora espero que os jovens cabo-verdianos que não ouvem a música tradicional passem a ouvir os artistas mais velhos; ainda temos a Titina, o Bana, Celina Pereira. A Cesária Évora, esses jovens já só vão poder rever em vídeo.”

Para o músico Toy Vieira há que manter a Cesária na memória colectiva. “Infelizmente a vida é assim, é uma grande perda, quer pela sua voz, quer pela pessoa que ela era. Eu sei que estava doente, quando é assim estamos mais ou menos preparados, mas não deixa de ser triste, perdemos uma voz tão singular. Pessoas como ela aparecem só uma vez na vida, e Cesária tinha uma grande história, ela sofreu muito na vida, " afirma o músico emocionado.

A fadista Mariza, amiga de Cesária Évora, hoje falecida, disse à Lusa que a cantora cabo-verdiana "tinha alguma mágoa e tristeza por os portugueses não a terem reconhecido e uma paixão enorme e gratidão para com os franceses que a reconheceram".

"Em palco éramos duas amigas que cantavam juntas e que se admiravam", disse Mariza.

A cantora brasileira Ângela Maria, considerada por Cesária Évora uma das suas inspirações desde a adolescência, disse hoje, em entrevista à agência Lusa, ter ficado "chocada" com a morte da diva cabo-verdiana.

"Estou muito chocada com a notícia. Ela era muito forte e guerreira. Espero que descanse em paz, porque ela sofreu muito antes de fazer sucesso", afirmou a cantora brasileira de 83 anos, uma das maiores referências do género samba-canção.

Ângela Maria disse que ouviu falar de Cesária pela primeira vez em 1994, ano em que a cantora cabo-verdiana fez a sua primeira apresentação no Brasil, levada por Caetano Veloso.

O músico e compositor cabo-verdiano Teófilo Chantre
, que assinou diversas músicas celebrizadas por Cesária Évora, disse hoje à agência Lusa que foi a cantora que "abriu as portas de França aos músicos de Cabo Verde".

"De entre as músicas que eu escrevi, gostava especialmente de ouvi-la cantar ‘Sorte’ e ‘Amor di Mundo'’, do álbum ‘Café Atlântico’, de 1999", disse o músico.

"A morte de Cesária Évora é uma grande perda. Agora é nossa responsabilidade manter o seu legado e manter a sua memória", terminou Chantre.


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