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Tó Alves, músico e ex-integrante da banda

O músico Tó Alves integrou a banda de Cesária Évora durante cinco anos. Hoje segue uma carreira a solo e não se inibe em tecer largos elogios à diva dos pés descalços. Rendeu uma homenagem à Cize no seu  primeiro trabalho a solo, “Hó mãe mas Justa”.

 “Falar da Cesária é muito simples, é falar de uma criança, mas uma criança grande. Uma pessoa fácil de conviver, e que tem as suas carências como todos nós” explica Tó Alves.

 “Quando ela abre a voz e deixa toda a melodia e encanto saírem, achamos que ela é a mulher mais bonita do mundo só por causa da sua voz”, diz com algum fascínio o músico que confessa que Cesária já o fez chorar em palco várias vezes.

Para o cantor, os cabo-verdianos nem sempre têm noção do que a Cesária representa lá fora. Explicando que cada espectáculo com a cantora foi único e muito enriquecedor, Tó Alves valoriza muito a experiência que teve com a Cize, apesar de agora ter a sua própria carreira a solo. “ Ainda hoje sou reconhecido como um músico da Cesária, seja onde eu for”, um facto que Tó Alves considera muito prestigiante.

O músico salienta ainda a importância que o produtor Djô da Silva teve na carreira da Cize. “Ele largou tudo e pegou na Cesária, numa altura em que ninguém acreditava que ela podia vir a ser o que é hoje”, salienta Tó Alves.
O artista reconhece também o papel dos músicos da banda de Cesária que foram por vezes esquecidos mas que também contribuíram para a divulgação da música cabo-verdiana lá fora.

“Em Cabo Verde, Cesária merecia muito mais”, afirma Tó Alves, aliás para o músico este é um panorama que se verifica com outros artistas em Cabo Verde. Explica que os artistas muitas vezes só são reconhecidos depois da sua valorização no estrangeiro ou então depois de falecidos.

“Mas não é a Cesária, nem o Djô da Silva que devem correr atrás desse reconhecimento”, defende o músico e acrescenta que deve haver um acompanhamento da carreira dos artistas por parte das entidades competentes. Tó Alves acrescenta ainda que o novo ministro da Cultura, Mário Lúcio, parece estar sensibilizado a certos temas que até então passaram despercebidos.