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Cesária Évora, o que a imprensa internacional disse dela

 Cantar não tem idade - “Cesária Évora &...”

A originalidade das perguntas estava, desde logo, condicionada porque Cesária Évora não gosta de dar entrevistas: “São sempre as mesmas coisas, fico chateada”. Se o jornalista insiste, “então dou, mas torna-se repetitivo”.

A entrevista à Agência Lusa decorre na sua casa de eleição, no centro do Mindelo (ilha de São Vicente), por entre donetes caseiros e grogue, em que o copo dos jornalistas nunca está vazio, tendo como pano de fundo o novo disco da “diva cabo-verdiana”, a dos pés descalços, “Cesária Évora &…”.

O segundo condicionalismo aparece com a pergunta seguinte: como surgiu a ideia deste novo disco (lançado oficialmente a 29 de novembro último)?: “Não sei, deve ter sido do produtor” (Djô da Silva).

Terceiro condicionalismo: oferecido pela editora cabo-verdiana Harmonia, o CD de “Cize” está nas mãos do jornalista, que o põe nas mãos da “diva”. “É esse o disco?”. Perante a resposta afirmativa, Cesária Évora mira-o atentamente e pede para o escutar.

Lura, Teófilo Chantre, Bonga, Marisa Monte, Caetano Veloso, os franceses Cali e Bernard Lavilliers, o senegalês Ismael Lo, o maliano Salif Keita, os cubanos Compay Segundo e Chucho Valdés, o italiano Adriano Celentano, o polaco Kayah, a mexicana Tania Libertad, o espanhol Pedro Guerra, o norte-americano Bonnie Raitt, o sérvio Goran Bregovic e a grega Eleftheria Arvanitaki participam também no disco.

“Sim, cantei com eles (Caetano Veloso e Marisa Monte)”, “Sim, conhecemo-nos em Cuba (Chucho Gonzalez e Compay Segundo)”, “Sim, é um amigo. Encontramo-nos algumas vezes (Bonga)”, “Fui para a Itália para gravarmos um «videoclip». Ele ia cantar em italiano mas cantou em crioulo (Adriano Celentano)” “Sim, esteve em São Vicente. Gravámos um «videoclip» na Baía das Gatas. É boa pessoa (Salif Keita)”.

“Eu também dou-me bem com toda a gente”. Mas vai um pouco mais longe nas palavras quando fala de Lura, que lhe dedicou “Modi Bô” (“Do Teu Modo”), segundo tema do disco em cuja letra assume que gostava de seguir as pisadas de Cesária Évora.

“Ela (Lura) tem futuro, é uma pessoa humilde. Gosto dela. Ela fez uma canção para mim e cantámo-la juntas. Acho que quer dizer que gosta de mim e eu gosto muito dela. É minha amiga”, diz.

Mas é com B. Leza, um dos mais importantes compositores de Cabo Verde, que “Cize” deixa cair a guarda e se emociona. “Para mim, para o melhor ou para o pior, eu gosto do B. Leza. As músicas dele é que deram o sucesso. Mas nem sequer é por isso. Ele sabia o que estava a escrever”.

(Agência Lusa, 15 de dezembro de 2010)

Vidinha de Cize

 

Numa reportagem de duas páginas da revista 'Visão' o escritor e jornalista português Fernando Assis Pacheco decifrou para o público português aquilo a que chamou "Vidinha de Cize". Pacheco, grande amante da música cabo-verdiana, terá sido um dos primeiros jornalistas a apresentar a cantora ao público português - público esse que, curiosamente, haveria de levar muito tempo a descobrir os encantos da sua voz.

"O novo álbum de Cesária Évora ('Cesária') coincide com uma decisão heróica: wisky, agora, só em noite de festa (...)", escreveu Pacheco. No entanto, o cigarro só viria a ser abandonado muitos anos depois. Na reportagem, o jornalista recupera a "vidinha de Cize", antes do mundo a descobrir: "era aguentar-se à tona de água (...) e esperar o meio da noite, hora de seu caminho entre a casa modesta e o Piano-Bar, onde fazia a cabeça dos habitués interpretando à meia-noite Mar Azul ou Crioula Sofredora sem reclamar cachet".

Assis Pacheco recorda os anos 70-80 quando a vida de Cesária, a "Dona Morna ou Diva Descalça, roçava o mais baixo limite de sobrevivência", pois que muitas vezes, Chico Serra, o pianista e dono do Piano-Bar não lhe pagava um tostão pela actuação.

"Mesmo se a cantora continuasse humilde e modesta como sempre: "Um troquinho no bolso, muito ou pouco. Dinheiro só o necessário para viver, assumir responsabilidades e ter saúde."

Na época, Cesária saboreava o seu mais novo êxito, 'Angola', de Ramiro Mendes. O recente espectáculo dado em Luanda tinha sido um enorme sucesso, com Paulino Vieira ao piano e nos arranjos, acompanhado do irmão Toy Vieira, Armando Tito e Bau.

Quando lhe pergunta qual o melhor público que teve até então, Cesária não tem dúvidas: "O de Luanda."

('Público', Fevereiro de 1995)

 

Cize, diva do 'scotch' opta pelo Caramulo

 

Através do seu enviado especial a São Vicente, Luís Maio, refere que "Cize, diva do 'scotch', opta pelo Caramulo", durante a edição do Festival da Baía das Gatas desse ano. A cantora, escreve o jornalista, "subiu ao palco com aspecto saudável.

Não levou um único cigarro à boca e em vez do 'scotch' refrescou-se com água do Caramulo." Luís Maio destaca a postura de Cesária, já na altura preocupada com a saúde e o desempenho em palco, deixando de lado a garrafa de 'whisky' e o cigarro que a ajudaram, no início da carreira, a moldar-lhe uma imagem de Billie Holyday da morna.

"Correndo o risco do lugar-comum", remata o jornalista, comparando a cantora ao nível de Amália para os portugueses: "o nível em que não precisam de cantar, basta que assomam ao palco para que se produza um oceano de magia."

('Público', Agosto de 1996)

 

Cesária Évora está "feliz" e vai lançar novo CD em 25 países

 

Cesária Évora lançava, nesse Natal, o CD "Cabo Verde", com apresentação simultãnea em 25 países, num dos momentos mais altos da sua carreira. José da Silva, o produtor, explicava a escolha do título: "tem o nome do país que Cesária Évora tem dado a conhecer ao mundo."

Em declarações à jornalista Otília Leitão, delegada da Lusa na Praia - e actual cronista de A Semanaonline - Cesária falava do seu "carinho" pela França, "afinal, foi ali que a grande viragem na minha vida começou."

A jornalista dava conta do memorável espectáculo dado por Cesária, no fim-de-semana anterior, na Praia. na entrevista, a cantora confessou nunca imaginou, que a sua vida, "muito dura, em São Vicente, antes do sucesso, viesse a ter momentos felizes, embora tarde."

(Lusa, Dezembro 1996)

 

Cesária Évora, a Diva Crioula com voz de aniz

 

A agência de notícias portuguesa relata a nomeação de Cesária Évora para os prémios "Grammy" desse ano, e a forma como surpreendeu as plateias "pelo contraste entre a sua humildade habitual, rara numa cantora de sucesso, e um virtuosismo musical invulgar."

O jornalista recupera a trajectória extraordinária da cantora, desde os 18 anos, aquando das primeiras gravações na rádio, até ao seu ressurgimento através da gravação do disco "Mudjer", em 1985, em que participou ao lado de outras cantoras.

(Lusa, Fevereiro de 1996)

 

Cesária Évora no Olympia

 

Uma passagem pelo mítico Olympia de Paris vale a consagração de qualquer artista pelo público francês. O dia 21 de Março desse ano seria mais um momento especial na carreira de Cize, com os jornais parisienses rendidos á sua voz, com a publicação de diversos textos da "diva dos pés descalços". a sua "Edith Piaf de Cabo Verde."

Num longo artigo sobre cesária Évora, o semanário conta o percurso da cantora cabo-verdiana, cuja carreira internacional havia começado nove anos antes em França."Um sétimo álbum, uma digressão à Austrália e uma biografia aos 56 anos, Cesária não pára com uma actividade vertiginosa de uma carreirra internacional".

As "várias vidas" de Cesária impedem-na de ser apenas "um pássaro das ilhas", adianta o jornal francês, e o seu reportório acompanha a par e passo "a felicidade e infelicidade do seu país", conclui o "L'Express".

(L' Express, Março de 1997)

 

Cize como "uma mulher que canta"

 

Uma página inteira do jornal parisiense consagra Cize como "uma mulher que canta", tentando explicar o que canta a diva das ilhas de Cabo Verde: "irmã do fado, a morna é a expressão de uma tristeza sorridente, aliada a uma dor no coração e a uma esperança da alma."

"Os pés descalços de Cesária em palco não deixam de ser referência recorrente na imprensa francesa, transmitindo uma "imagem de languidês". O jornal termina salientando a alegria do novo CD ('Cabo Verde'), com destaque para as coladeiras, que considera ser "a vertente alegre das mornas".

(Le Figaro, Março de 1997)

 

A voz de Cize no mundo

 

O extenso e inspirado artigo dedicado à cantora, o jornalista escreve que, quando canta, Cesária Évora surge "como que um convite para que se abram delicadamente as torneiras para o banho voluptuosamente quente".

(Liberation, Março de 1997)

 

"Se tivesse nascido no Brasil..."

 

Numa entrevista ao jornal brasileiro, Cesária confessa o seu amor pela música brasileira e pelo Brasil: "se tivesse nascido no Brasil talvez fosse conhecida há mais tempo na Europa", adiantando que gosta "de tudo da música brasileira" e a sua disponibilidade em gravar com qualquer cantor.

A entrevista antecedia o lançamento do seu novo CD "Cabo Verde" no Brasil e uma série de apresentações previstas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Salvador. O jornal destaca ainda os espectáculos dados em São Paulo pela cantora, onde actuou com Caetano Veloso - que a considerou uma das melhores cantoras do mundo.

(O Globo, Março 1997)

 

"A voz verde"

 

É o título do artigo que dá conta que Cesária Évora dividiu o Prémio da Música da UNESCO com o compositor franco-grego Iannis Xenakis e o Centro cultural da África do Sul Youth Khongisa.

O jornal destaca ainda as reacções orgulhosas de músicos como a cantora cabo-verdiana Titina, e dos angolanos Raul Indipwo e Eduardo Paim. O ministro da Cultura de Cabo Verde, António Jorge Delgado salientou o papel do seu empresário José da Silva na projecção de Cesária.

(Público, Agosto de 1998)

 

Ordem do Mar Azul

 

Depois de alguma relutância, o público português finalmente rendeu-se à figura de Cesária Évora - cuja carreira internacional teve início em França - com a atribuição, por Jaime Gama, ministro dos Negócios Estrangeiros, da Grã-Cruz da ordem do Infante Dom Henrique.

O espectáculo da homenagem decorreu no Centro Cultural de Belém. O diário português destaca que "Cesária teve, enfim, a sua homenagem", na companhia de vários músicos, brasileiros, portugueses e cabo-verdianos. No acto solene, Jaime Gama, num rasgo de informalidade, com toda a gente de pé, refere que "neste caso seria apropriado chamar da Ordem do infante "da Ordem do Mar Azul".

(Público, Julho de 1999)

 

Cesária Évora entre as que mais vende em França

 

O MIDEM (Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical) revela que Cesária Évora, candidata pela quarta vez a um Grammy, vende uma média de mil discos por dia em França. Números oficiais da indústria discográfica francesa indicam que o último álbum da cantora, "Café Atlântico", já vendeu mais de 220 mil cópias desde que foi lançado em França, seis meses antes.

(Lusa, Janeiro de 2000)

 

Embaixadora do PAM

 

A cantora Cesária Évora é nomeada embaixadora do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) na luta contra a fome. Cesária passa a dar a cara pelos países da CPLP, nos programas de alimentação escolar.

 

(Lusa, Julho de 2003)